Havia um príncipe que queria assumir o trono, prometendo aos quatro ventos que se ele fosse rei tudo mudaria, a população seria mais feliz e bem sucedida. Embora tenha caído no gosto da população, não conseguiu o apoio popular que necessitava para sua empreitada. Partiu então para uma disputa nos bastidores do reino conseguindo dois aliados de peso, o primeiro-ministro e o bobo da corte. O primeiro-ministro era um homem honrado e competente, mas insatisfeito com os rumos daquele governo que não ajudava o povo e faria de tudo que estivesse ao seu alcance para que o rei não conseguisse apoio de seus pares para permanecer no poder. O bobo da corte, apesar de manter-se por muitos anos fiel e íntegro ao seu rei também estava insatisfeito, e por sua vez era um informante valioso que sabia de tudo que se passava em todas as instâncias do reino. De bobo mesmo só possuía a alcunha.
Depois de três anos de disputas o rei não conseguiu se manter e abdicou do trono, dando lugar ao príncipe, que foi alçado ao trono com todas as glórias inerentes ao cargo.
Seu governo foi aos poucos se consolidando e trazendo muita fartura e estabilidade ao reino, o povo estava satisfeito e feliz e seus pares no governo sentiam-se seguros. Porém, estranhamente, ele começou a desqualificar sutilmente os trabalhos do primeiro-ministro, começou a deixá-lo de lado nos momentos importantes e apreciá-lo apenas nas frugalidades. Sentindo-se desprestigiado, o ministro retirou-se da vida pública e buscou outro lugar para exercer suas funções com dignidade. Era um homem honrado na acepção da palavra.
A mesma coisa aconteceu com o bobo da corte, seus serviços de animação eram ignorados e ele era solicitado somente quando possuía alguma informação de valia para o soberano. De informante valoroso passou a ser um mero fofoqueiro. Privado da atividade que mais gostava, o bobo da corte não teve a mesma atitude que o primeiro-ministro, ele continuou na corte, porém minando a força do rei aos poucos através dos seus contatos.
Demorou algum tempo, mas o novo rei foi perdendo aliados de todos os lados do reino e teve que ceder lugar ao seu irmão mais novo. Felizmente o novo rei também era competente e, além disso, tinha um coração mais generoso, seu reinado foi muito bom e durou muitos anos. A diferença é que ele manteve todos os seus asseclas leais junto dele, chamou o antigo primeiro-ministro de volta e nomeou o bobo da corte, ministro da cultura.
Moral da história: a lealdade deve ser tratada com o respeito que merece, ou ela pode se voltar contra você.
Texto publicado originalmente no blog Divã do Masini em 04/06/2008.

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